Método de inglês único, inovador e fácil

Estamos vivendo um momento muito complicado atualmente, um momento em que tudo está sendo vendido como algo único, inovador e fácil. Mas será que é único, inovador e fácil mesmo?
Pois bem, a necessidade de um mundo globalizado e tecnológico permitiu que fosse possível a criação de muitos cursos de idiomas com a falsa ideia de que tudo é muito fácil, basta você fazer isso e aquilo e pronto, você irá estar falando inglês fluentemente. Ou ainda, com o nosso método é comprovado, em 6 meses você vai estar falando inglês fluentemente. Aí eu te pergunto, você conhece alguém que realmente aprendeu inglês em tão pouco tempo e que realmente domina o idioma? Aprender algumas frases e manter uma conversação básica é perfeitamente normal na maioria dos cursos encontrados por aí, mas até que ponto eu posso dizer que isso é fácil?
Será que é realmente fácil aprender um outro idioma? E minha resposta é: depende. Como assim? Depende do que você busca com o idioma: você precisa saber um pouco para fazer uma viagem ou para o trabalho; precisa ler um livro ou artigo da faculdade; ou quer realmente falar o idioma como se fosse a sua única língua? Ainda tem um detalhe importante, todo mundo pode aprender um idioma, mas nem todo mundo tem aptidão para aprender uma segunda língua com a mesma facilidade. O que parece é que com o acesso à tecnologia, internet, jogos, Netflix, YouTube, tudo ficou muito mais fácil. O acesso à informação ficou realmente muito mais fácil e rápido, antigamente se tívessemos uma dúvida, precisávamos esperar até a próxima aula para perguntar ao professor ou alguém mais instruído da família, ou se aventurar nas pilhas de livros da biblioteca da escola. Hoje, com alguns cliques temos praticamente a resposta de tudo que procuramos, algo muito inovador e positivo, porém, essa facilidade ao acesso à informação está trazendo um conhecimento fragmentado e muitas vezes sem nenhuma, ou pouca reflexão. No idioma não é diferente, os cursos estão cada vez mais simplificados que muitas vezes você nem irá ouvir a palavra gramática, ou a nomenclatura “verbo to be” pois consideram altamente agressivos dizer isso em aula. Cria-se cursos simplificados para dar a falsa sensação de que o aluno está realmente aprendendo alguma coisa. Acredito sim, que é possível criar um curso simplificado, até porque a necessidade de um pode não ser a necessidade do outro, porém não venha me dizer que isso é ser inovador.
Ser único e inovador já não é mais tão simples assim. Trocar um livro por uma plataforma digital não necessariamente é estar inovando e é possível sim inovar em sua sala de aula com apenas um livro, canetão, quadro e apagador, pois quem é professor de verdade se inova a cada dia. O que acontece atualmente, é que nunca o mercado esteve tão em alta para o ensino de idiomas. Basta você procurar no google maps e escolher uma escola mais próxima da sua casa, ou se não quizer sair de casa, ainda podemos contar com cursos online, porém isso gera uma grande dúvida, em qual escola estudar? No passado era muito mais fácil escolher uma escola de idiomas para estudar, não havia muita concorrência e tinhamos que nos conformar com o que tinha na cidade mesmo. Hoje, por outro lado, somos bombardeados por propagandas de cursos de idiomas com essas mesmas características mencionadas anteriormente, a promessa de algo rápido, fácil e inovador. Mas será que existe isso mesmo?
Não vou entrar no mérito de qual escola é melhor ou pior, pois já estudei e trabalhei em algumas escolas e acho que seria antiético falar sobre isso, mas peço que faça uma reflexão quando for escolher um curso. Sabemos que o aspecto visual é muito importante, ainda existe um certo glamour em estudar inglês, pelo menos no Brasil. Para muitas pessoas isso se tornou um status, “estou estudando na escola X”, “a escola Y é a melhor de todas”, e assim vai. Entendo que devemos sim conhecer melhor a instituição em que vamos nos matricular ou matricular nosso filhos, porém o mais importante muitas pessoas esquecem de perguntar: quem vai ser o professor? Qual é a experiência do professor? O professor tem algum diploma para o ensino de idiomas? Acho incrível que ninguém dá valor para a figura principal na educação mas se preocupam em matricular em escola X ou Y porque é mais “famozinha”. 
Precisamos mudar essa mentalidade, a ideia de que somente falando o idioma você já está capacitado para ensiná-lo e começar a valorizar mais o profissional. Conheco até algumas que nem contratam profissional formado para não ter um custo muito alto. São anos para a formação de um professor, não desmerecendo quem foi prodígio e aprendeu o idioma sozinho, porém o ser professor, de idiomas pelo menos, é muito mais do que falar um idioma fluentemente. Só para ilustrar um pouco, você aceitaria fazer uma cirurgia por alguém que não é um médico só porque é mais barato? Viajaria em um avião que o piloto aprendeu no Flight Simulator só porque é mais rápido? Comeria em um restaurante em que o chef tem um método único de preparar o alimento sem lavá-lo para não perder as proteínas? Acredito que não. 
Outra coisa, não acredite em falsas promessas, um consultor para fechar uma venda muitas vezes promete o que ele não pode cumprir, a pessoa vai perguntar: “ah, mas eu vou ficar fluente mesmo?”, aí o consultor para não perder a venda diz: “claro que vai meu querido, em menos de 1 ano você já vai estar falando tudo”. Mentira, ou o consultor é pilantra mesmo ou a própria escola o está induzindo ao erro. Não se pode prometer algo que não depende só do professor ou da escola, o aluno é também responsável pelo seu próprio conhecimento, não adianta o professor ter maior boa vontade de ensinar se o aluno não estiver disposto a aprender. Não existe somente um tipo de aluno, cada aluno tem um ritmo de aprendizado e deve ser tratado primeiramente como pessoa que muitas vezes já traz uma bagagem de insegurança por não ter aprendido o idioma em uma escola considerada “milagrosa”. Fique de olho e procure se informar.
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Robson Leandro Rosa
ELT Professional

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